Podcast Psi com Dendê: quando psicólogos se encontram para compartilhar conhecimento

Há muita coisa que acontece antes de uma câmera começar a gravar. Tem roteiro sendo revisado, colega ajudando colega, ajuste de última hora, maquiagem, conversa no corredor e aquela troca que continua mesmo quando os microfones estão desligados.

Foi assim em mais uma sessão de gravação do Psi com Dendê, realizada no Estúdio Garagem, na Praça dos Eucaliptos. Desta vez, oito psicólogos se reuniram para transformar temas presentes nos consultórios, nos estudos e na vida cotidiana em conversas acessíveis para quem está do outro lado da tela.

Foram abordados assuntos muito diferentes entre si — relacionamentos, raiva, memória, inteligência artificial, racismo, envelhecimento, trabalho, uso de substâncias, entre outros —, mas todos partiram de uma mesma proposta: aproximar a Psicologia das pessoas sem transformar conhecimento científico em uma aula difícil de acompanhar.

Produção de conteúdo também pode ser colaborativa

Uma das ideias que deram origem ao Psi com Dendê foi justamente questionar a imagem do psicólogo como um profissional que precisa construir sua trajetória sozinho.

Nas gravações isso fica ainda mais evidente.

Enquanto um está diante das câmeras, outro assume o papel de host. Nos intervalos, alguém ajuda a revisar uma fala, comenta uma ideia, sugere um ajuste ou simplesmente oferece apoio para quem está prestes a gravar. Cada profissional traz sua experiência, sua abordagem e sua maneira particular de compreender a Psicologia.

As gravações mensais passaram, assim, a ser mais do que uma produção de vídeos. Elas se tornaram também um espaço de troca profissional, aprendizado e construção coletiva de conhecimento.

E existe um propósito importante por trás disso.

Muitas pessoas chegam à psicoterapia sem saber exatamente o que acontece em uma sessão. Outras convivem durante anos com dificuldades emocionais, relacionais ou profissionais sem perceber que aquilo também pode ser levado para um espaço de cuidado psicológico.

Quando um psicólogo fala de maneira simples sobre uma situação que alguém reconhece na própria vida, pode surgir uma pergunta:

“Será que eu deveria olhar com mais atenção para isso?”

Os conteúdos do Psi com Dendê não substituem a psicoterapia — e nem pretendem fazer isso. Eles podem, porém, ampliar informação, provocar reflexões e tornar a Psicologia mais próxima de quem talvez ainda nunca tenha pensado em procurar um psicólogo.

Conteúdos desta 3ª temporada

Nesta nova sequência de gravações, Robson Cunha, Flávia Finotti, Allessandro Canella, Helena Gouvea, Osvandir Leal, Daniela Hohlenwerger, Lívia Drummond e Giovana Afra levaram para as câmeras temas que atravessam diferentes momentos da vida.

E um pouco do que foi gravado começa a chegar às nossas redes sociais nos próximos dias.

É possível aparentemente ter tudo organizado e, ainda assim, experimentar uma sensação de vazio?

Robson Cunha parte da perspectiva junguiana para conversar sobre a persona — aquilo que mostramos ao mundo — e o que pode acontecer quando existe uma distância cada vez maior entre as expectativas externas e aspectos importantes de quem somos.

Em outro conteúdo, ele se aproxima da experiência da angústia não apenas como algo que precisa ser eliminado, mas como um possível sinal de que alguma dimensão importante da vida está pedindo atenção.

Trabalho e relacionamentos aparecem nos conteúdos de Flávia Finotti a partir de uma pergunta em comum: por que às vezes continuamos em situações que estão nos fazendo mal?

Ela aborda estresse, esgotamento e burnout, além das dificuldades envolvidas em reconhecer e sair de relações disfuncionais.

Sob a perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental, seus vídeos convidam a observar os padrões de pensamento e comportamento que podem participar da manutenção dessas situações.

Canella escolheu três experiências extremamente cotidianas para mostrar algumas particularidades do funcionamento da nossa mente.

Por que dez elogios podem parecer desaparecer depois de uma única crítica? É a partir dessa situação que ele apresenta o viés de negatividade.

Em outro vídeo, questiona uma certeza que carregamos quase naturalmente: nossas lembranças são registros fiéis daquilo que aconteceu? A conversa mostra como memória, emoções e contexto podem participar da reconstrução daquilo que recordamos.

O terceiro conteúdo começa com os pequenos esquecimentos cotidianos e chega aos limites da atenção e da memória de trabalho. Talvez fazer várias coisas “ao mesmo tempo” tenha um custo maior do que imaginamos.

Os conteúdos de Daniela atravessam diferentes experiências do universo feminino e familiar.

Em um deles, ela problematiza o chamado mito da beleza e a pressão estética exercida sobre as mulheres. Quanto de energia, atenção e sofrimento pode ser consumido pela tentativa permanente de corresponder a determinados padrões?

A menopausa também aparece sob outra perspectiva. Em vez de enxergá-la apenas pelo que termina, Daniela convida a pensar sobre as transformações desse período e as possibilidades de reconexão consigo mesma.

Em outro vídeo, apresenta o Entre Mundos, proposta voltada ao acolhimento de familiares de pessoas trans, trazendo para a conversa os conflitos, as mudanças e as necessidades emocionais que podem acompanhar essas famílias.

Os conteúdos de Helena colocam a Psicologia diante de questões extremamente atuais.

Em dois deles, o tema é a inteligência artificial aplicada à saúde mental. O que uma pessoa procura quando passa a conversar sobre seus sentimentos com um chatbot? Essas ferramentas podem ajudar? E onde termina a possibilidade de psicoeducação e começa a necessidade de uma relação terapêutica humana?

Helena também aborda o sofrimento psíquico relacionado ao racismo, refletindo sobre como experiências sociais e estruturais podem atravessar subjetividade, identidade e saúde mental — sem perder de vista a singularidade de cada pessoa.

Osvandir parte de Kronos e Kairós para provocar uma reflexão sobre nossa relação com o tempo. Uma coisa é contar horas, dias e anos. Outra é perceber quanto significado existe no tempo que estamos vivendo.

Os relacionamentos também entram nessa conversa. O que esperamos do outro? E o que acontece quando projetamos sobre uma relação a responsabilidade de preencher nossas próprias carências?

Em outro conteúdo, ele leva a reflexão para a vida coletiva ao falar sobre polarização e intolerância, recorrendo a conceitos da Psicologia Analítica para pensar por que podemos nos tornar tão hostis diante de quem enxerga o mundo de maneira diferente.

Lívia dedica seus conteúdos a três experiências que muitas vezes tentamos simplesmente eliminar: raiva, culpa e ciúme.

A raiva aparece como uma emoção que também pode sinalizar limites ultrapassados e necessidades importantes — sendo fundamental diferenciar a emoção da maneira como reagimos a ela.

Na conversa sobre culpa, Lívia distingue aquela que pode favorecer reconhecimento e reparação de um erro de formas de culpa que alimentam vergonha e autopunição.

Já ao falar sobre ciúme, parte de uma experiência humana para discutir o momento em que vigilância, controle e obsessão começam a transformar a relação.

Os conteúdos de Giovana atravessam diferentes formas de lidar com emoções difíceis.

Um dos temas é o uso de substâncias na vida adulta, especialmente quando álcool ou outras substâncias começam a funcionar como caminhos rápidos para aliviar emoções, pressões e desconfortos.

Giovana também fala sobre a raiva e algo aparentemente simples, mas nem sempre fácil: criar uma pausa antes de responder. O silêncio, nesse contexto, não aparece como punição ao outro, mas como possibilidade de autorregulação diante de uma emoção intensa.

O ambiente profissional completa sua participação, com uma reflexão sobre relações disfuncionais no trabalho, liderança abusiva, desequilíbrio entre esforço e recompensa e os riscos psicossociais relacionados ao esgotamento.

Os relacionamentos também entram nessa conversa. O que esperamos do outro? E o que acontece quando projetamos sobre uma relação a responsabilidade de preencher nossas próprias carências?

Em outro conteúdo, ele leva a reflexão para a vida coletiva ao falar sobre polarização e intolerância, recorrendo a conceitos da Psicologia Analítica para pensar por que podemos nos tornar tão hostis diante de quem enxerga o mundo de maneira diferente.

Psicólogos mais próximos das pessoas

Produzir conteúdo faz parte de um movimento importante do Psi com Dendê: aproximar bons profissionais das pessoas que precisam conhecer mais sobre Psicologia e saúde mental.

Para os psicólogos participantes, compartilhar conhecimento também contribui para tornar visíveis suas áreas de estudo, perspectivas clínicas e repertório profissional. A autoridade, nesse sentido, não nasce apenas de aparecer diante de uma câmera, mas da consistência entre estudo, prática, ética e capacidade de comunicar aquilo que se conhece.

Para quem acompanha do outro lado, existe outro ganho.

Um vídeo sobre relacionamentos pode fazer alguém reconhecer um padrão. Uma conversa sobre burnout pode dar nome a uma experiência que parecia apenas cansaço. Um conteúdo sobre memória, raiva, menopausa ou racismo pode despertar uma pergunta que ainda não havia sido feita.

E talvez algumas dessas perguntas levem a pessoa a compreender que não precisa encontrar todas as respostas sozinha.

É por isso que nossos conteúdos são pensados para o público final. Não para substituir o encontro com um psicólogo, mas para tornar a Psicologia mais compreensível, próxima e presente na vida das pessoas.

Nos próximos dias, esses vídeos começarão a chegar às redes do Psi com Dendê.

Vale acompanhar.

Porque, se nos bastidores um psicólogo ajuda o outro a crescer, do lado de fora das câmeras esperamos que cada conversa também possa ajudar alguém a olhar para si com um pouco mais de atenção.

Estudar juntos. Crescer juntos. Tornar a Psicologia mais presente na vida das pessoas.

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