Entre Mundos: acolhimento para mães, pais e responsáveis por pessoas transgênero

A afirmação da identidade de gênero de uma pessoa trans pode mobilizar transformações não apenas em quem vive esse processo, mas também em toda a dinâmica familiar. Para mães, pais e responsáveis, podem surgir sentimentos diferentes — e até aparentemente contraditórios — como amor, medo, orgulho, insegurança, dúvidas e uma sensação de perda difícil de explicar.

Mas onde esses familiares podem falar sobre o que estão sentindo sem que isso seja interpretado como falta de amor ou como questionamento à identidade de quem amam?

É a partir dessa necessidade que nasce o Grupo de Acompanhamento Terapêutico Entre Mundos, conduzido pela psicóloga Daniela Hohlenwerger Samartin Fernandes.

Um espaço para cuidar de quem cuida

O Entre Mundos é destinado a mães, pais e responsáveis por pessoas transgênero que também atravessam seus próprios processos subjetivos e relacionais diante da afirmação de gênero de um familiar.

A proposta não é questionar, contestar ou buscar modificar a identidade de gênero de ninguém. O objetivo é oferecer acolhimento, escuta e cuidado para quem cuida.

Isso parte de uma compreensão importante: oferecer espaço para que familiares reconheçam e elaborem suas próprias angústias pode contribuir para ampliar sua capacidade de presença, vínculo e proteção.

Há sentimentos que muitas vezes permanecem em silêncio porque mães e pais acreditam que não deveriam senti-los. Entretanto, amor, medo, incerteza, orgulho e sofrimento podem coexistir.

Ter um espaço seguro para falar sobre essa experiência pode transformar uma travessia vivida de maneira solitária em uma experiência compartilhada.

Quando existe amor, mas também existe uma sensação de perda

Um dos temas que fundamentam o trabalho do grupo é o conceito de perda ambígua.

Em algumas famílias, a afirmação de gênero pode ser acompanhada pela necessidade de reelaborar expectativas, imagens e narrativas construídas ao longo de muitos anos. A pessoa continua presente, mas determinadas representações que a família possuía sobre ela precisam ser revistas.

É justamente essa ambiguidade que pode tornar alguns sentimentos difíceis de compreender e nomear.

O Entre Mundos propõe um espaço no qual essas emoções possam existir e ser elaboradas sem colocar em questão a identidade da pessoa trans.

Fundamentado em pressupostos junguianos, fenomenológicos e nos estudos sobre perdas e luto, o trabalho também utiliza recursos expressivos para ajudar a dar voz àquilo que, muitas vezes, ainda não encontrou palavras.

Uma proposta que também nasce de uma experiência pessoal

A criação do Entre Mundos está no encontro entre prática clínica, pesquisa acadêmica e uma experiência que atravessa a própria história de Daniela Hohlenwerger:

Daniela é mãe de uma mulher transgênero.

Ao longo dessa jornada, percebeu a escassez de profissionais e espaços preparados para acolher a complexidade dos sentimentos vivenciados pelas famílias.

Essa experiência pessoal encontrou continuidade em sua trajetória profissional.

Daniela é psicóloga clínica e psicoterapeuta de orientação junguiana, está atualmente em formação em Neuropsicologia e possui graduação anterior em Direito, tendo atuado durante anos na advocacia relacionada ao Direito das Famílias.

Desde 2020, direciona também seus estudos para gênero, sexualidades e feminismos.

No campo acadêmico, aprofundou a temática no trabalho “Cuidar de quem cuida: o manejo clínico do processo de perda ambígua de pais a partir da afirmação da identidade transgênera de uma(o/e) filha(o/e)”, voltado justamente para o acolhimento dos processos emocionais vivenciados por familiares de pessoas trans.

Como funcionará o Entre Mundos?

O grupo terá até oito participantes e será realizado integralmente online, possibilitando a participação de pessoas de diferentes localidades.

Serão oito encontros quinzenais, criando uma continuidade para que os participantes possam compartilhar experiências e elaborar questões ao longo do processo.

O primeiro encontro está previsto para 6 de outubro, às 19h30.

Mais do que oferecer respostas prontas, a proposta é construir um espaço protegido de escuta, elaboração e troca entre pessoas que atravessam experiências que podem ter pontos em comum.

Inscrições abertas

Se você é mãe, pai ou responsável por uma pessoa transgênero e percebe que também precisa de um espaço para compreender e elaborar aquilo que está vivendo, o Entre Mundos pode ser um lugar para essa travessia.

As inscrições estão abertas.

Início: 6 de outubro
Horário: 19h30
Modalidade: online
Duração: 8 encontros quinzenais
Participantes: até 8 pessoas

Para informações sobre valores, funcionamento do grupo e inscrições, fale diretamente com a psicóloga Daniela Hohlenwerger pelo WhatsApp:

Quero saber mais sobre o Grupo Entre Mundos

Cuidar da família não é o oposto de cuidar de quem se ama. É também uma forma de tornar esse cuidado possível.

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